4 de Maio de 2009

“Olá, mãe, eu ainda não existo”


Olá, mãe, eu ainda não existo
sou apenas o teu sonho de ternura
em busca da eternidade
Sei que me procuras com todo o risco
os teus dias são feitos de amargura
para que o destino seja natividade
Eu tenho um nome antes de nascer
e uma casa plena de afectos
para que, mãe, possas renascer
e eu seja o sentido
dos teus projectos.

Eu não desisto de ti, mãe
Sou apenas uma ideia quando olhas as estrelas
perdida no paraíso dos sonhos
Um dia serei alguém
a navegar nos teus braços como caravelas
no mar dos teus olhos risonhos
Eu sou o filho que te espera
no mundo desconhecido do além
farei parte de uma nova era
serei o filho sonhado de minha mãe.

Luís Filipe Sarmento escreveu especialmente para este dia e para este blog o poema acima transcrito. Poeta, jornalista, tradutor e realizador com trabalhos em televisão e vídeo, Luís Filipe Sarmento é autor de títulos como Trilogia da noite (1978), Nubens (1979), Fragmentos de uma conversa de Quarto (1989), Boca barroca (1990) e de A Crónica da Vida Social dos Ocultistas (2008).

1 Sonhos:

Elisabete disse...

Também gostei muito...